Tudo o que você precisa saber sobre cabos e suas utilidades no barco

Grosso, fino, para ancorar ou rebocar, de náilon ou poliéster. Veja aqui tudo o que você precisa saber sobre cabos

Se­ja lan­cha ou ve­lei­ro, to­do bar­co usa al­guns ca­bos. Mas nem to­dos eles são iguais. Na­da de sair com­pran­do o pri­mei­ro que en­con­trar, por­que há um ti­po es­pe­cí­fi­co de ca­bo pa­ra ca­da ca­so.

Is­to sig­ni­fi­ca que um ca­bo ina­de­qua­do, além de não funci­o­nar co­mo de­ve­ria, irá du­rar me­nos. Já pen­sou se o ca­bo da ân­co­ra ar­re­ben­ta.

As fi­bras ve­ge­tais, co­mo si­sal ou al­go­dão, por exem­plo, são coi­sa do pas­sa­do. Elas já fo­ram subs­ti­tu­í­das há muito tem­po por fi­bras sin­té­ti­cas (as mais usa­das são nái­lon, po­li­és­ter, po­li­pro­pi­le­no e po­li­e­ti­le­no, além da spec­tra, es­ta, po­rém, apenas em bar­cos de com­pe­ti­ção, porque é bem mais cara), ga­nhan­do mais re­sis­tên­cia não ape­nas à tra­ção e abra­são co­mo tam­bém ao sol, sal, água e pro­du­tos quí­mi­cos.

E não é ape­nas o ma­te­ri­al que de­ve ser le­va­do em con­ta na ho­ra da es­co­lha. Além do uso e o ta­ma­nho do bar­co, o di­â­me­tro, pe­so e for­ma de con­fec­ção do ca­bo (se tor­ci­do ou tran­ça­do, por exem­plo) tam­bém são im­por­tan­tes, pois de­ter­mi­nam ca­rac­te­rís­ti­cas co­mo a elas­ti­ci­da­de, necessária nas atra­ca­çõ­es e re­bo­ques, já que, nes­te caso, cabos que es­ti­cam pou­co trans­mi­tem tran­cos mais fortes ao bar­co e po­dem que­brar os amar­ra­do­res.

Pa­ra acer­tar na com­pra e ter o ca­bo cer­to pa­ra o lu­gar cer­to e por mais tem­po, não é pre­ci­so ser es­pe­ci­a­lis­ta no as­sun­to, mas con­vém co­nhe­cer al­­gu­mas re­gras bá­si­cas, co­mo as que mos­tra­mos aqui. Acom­pa­nhe.

Uma questão de peso
Alguns materiais são mais leves que a água e, portanto, flutuam. Outros, afundam. Mais do que uma curiosidade, isto é fundamental quando se quer reduzir o peso a bordo ou, então, escolher uma amarra ou retinida.

Com âncoras e poitas, por exemplo, é obrigatório usar cabos pesados, para evitar que outras embarcações acabem com o hélice enroscado neles. Já com bóias salva-vidas e reboques para esqui, ocorre o contrário: o cabo deve flutuar, para se arremessar a bóia mais longe e para o esquiador ter o cabo sempre à mão quando cair.


Para não dar cabo dos cabos
O fa­bri­can­te sem­pre in­for­ma a car­ga de tra­ba­lho, que é quan­to o ca­bo su­por­ta, e a par­tir de quan­to ele se rompe. Ao es­co­lher um, de­ve-se di­vi­dir o va­lor de ruptura por 7. Por exem­plo: pa­ra içar um bar­co de 1 tone­la­da, a car­ga de rup­tu­ra do ca­bo de­ve ser de, pe­lo me­nos, 7 tone­la­das.

De­pen­den­do do uso, um ca­bo po­de per­der mu­i­to de sua resis­tên­cia ini­ci­al. Os de nái­lon, por exem­plo, fi­cam mu­i­to en­fra­que­ci­dos quan­do tra­ci­o­na­dos a 75% da car­ga de rup­tu­ra. Já os nós são pi­o­res ain­da: re­du­zem a resistên­cia dos ca­bos pe­la me­ta­de.

Pa­ra um ca­bo não se des­man­char, é pre­ci­so pro­te­ger as pon­tas (chi­co­tes) com fi­ta-cre­pe ou quei­má-las ligeiramen­te. Já pa­ra um aca­ba­men­to mais bo­ni­to, o melhor é en­ro­lar os chi­co­tes com um ca­bo mais fi­no — tra­ba­lho co­nhe­ci­do co­mo fal­ca­ça cos­tu­ra­da.

Man­te­nha os ca­bos lon­ge de com­bus­tí­veis, gra­xa e solventes, la­ve-os com água do­ce sem­pre que usá-los no mar (pa­ra que o sal não en­du­re­ça as fi­bras) e guar­de-os pendu­ra­dos e à som­bra. Desta forma, a du­ra­bi­li­da­de deles au­men­ta mu­i­to.

Ca­bos jamais de­vem ser ar­ras­ta­dos pe­lo chão, e seus pontos de atri­to de­vem ser pro­te­gi­dos com uma bor­ra­cha.

Rol­da­nas de des­vio (de 180 graus) de­vem ter di­â­me­tro pelo me­nos 10 ve­zes mai­or do que o do ca­bo, se ele for tor­ci­do. Mas, se o ca­bo for tran­ça­do, o di­â­me­tro da rolda­na de­ve ser 8 ve­zes mai­or.

Torcido ou trançado?
s cabos torcidos são formados por vários cordões, que, como o próprio nome diz, são “torcidos”. Em geral, esticam mais, absorvendo melhor os impactos. Por isso, são usados em amarras, espias e reboques, situações em que os trancos são mais freqüentes. Com eles também é mais fácil fazer alças.

Já os cabos trançados são confeccionados com cordões entrelaçados e podem ter a “alma” (núcleo) e capa de proteção, que aumenta a “pega” — este tipo de cabo é bastante indicado para fazer nós, por exemplo. Os cabos trançados não são muito elásticos e fazem menos “coca”, o que significa que torcem pouco ou emaranham menos.

São mais empregados em adriças e escotas de veleiros e, neste caso, usam-se, ainda, cabos pré-estirados, porque cedem pouco.

Corda? Só se for para enforcar
Chamar cabo de “corda” é um dos erros mais comuns entre os não-iniciados nas artes náuticas. Quando alguém comete essa gafe, os mais experientes costumam responder: “Corda? Só se for para te enforcar!” Mas, na verdade, segundo o Dicionário do Mar, de Sérgio Cherques, usa-se, sim, corda num barco. Mas apenas para ser “o cabo pendente do badalo de um sino”, portanto, corda a bordo, só se houver também um sino.

 

Da Revista Náutica n° 204
Por Regina Hatakeyama

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