A bordo, seu pé fica exposto a vários perigos, saiba como evitá-los


Quem tem barco vive descalço e, portanto, com os pés sempre à mostra a bordo. E como andam os seus?


 

Barcos e sapatos não combinam nem um pouco. Por isso, tal qual nas casas japonesas, a regra número um ao embarcar em qualquer barco é tirar os calçados e ficar descalço. O problema é que nem todo mundo se lembra disso antes e, na hora agá do passeio, vem o constrangimento. Podem ser unhas não cortadas, calcanhares rachados ou aquela micose que vive omitida pelos sapatos. E não jeito: a bordo de um barco, todo mundo olha e repara nos pés dos outros. O problema fica ainda mais evidente quanto maior for a permanência a bordo, porque a água do mar também colabora para estragar a pele, sem falar que, nos barcos, as topadas são corriqueiras e suas sequelas costumam ficar eternizadas nos pés dos marinheiros frequentes. A única saída, portanto, é cuidar bem dos seus pés e não apenas por uma questão estética. Confira estas dicas da médica Vanessa Rodrigues, que é dermatologista e, também, usuária habitual de barcos. Portanto, ela sabe duplamente o que diz.

O que fazer se…

 
Você der uma topada a bordo e quase arrancar a unha fora?
Coloque compressa com gelo picado (quase todo barco tem gelo a bordo), para evitar o inchaço. Depois, envolva o dedo e a unha com esparadrapo poroso ou tecido. Isso também estancará possíveis sangramentos. Não tente tirar a unha. Pode machucar ainda mais.

Ou, ainda, pisar num ouriço?
Apesar de doer, os espinhos dos ouriços são fáceis de remover da pele. Basta puxar com uma pinça e, depois, limpar bem o local.

Queimar o pé no sol?
Usar protetor solar também no peito dos pés é regra básica, até porque nem sempre se costuma deixá-los expostos ao sol — e eles queimam fácil, já que ficam na horizontal. Mas, se acontecer e a pele descascar, não a puxe. Se formar bolhas, não volte a tomar sol até a pele se recuperar.

Seus pés forem picados por insetos nas praias?
Picadas incomodam em qualquer parte do corpo, mas nos pés é ainda pior, porque nas extremidades temos maior sensibilidade à dor e à coceira. Para aliviar, coloque compressas de gelo e… espere passar a coceira.

Você pisar em um anzol?
É uma ocorrência comum nas pescarias, mas nem pense em puxar o anzol, porque você só irá engatá-lo ainda mais na pele. Se não for o caso de procurar um médico, limpe bem o local, aplique bastante gelo (dentro de um saco plástico, para não queimar a pele com o frio) e espere ele fazer um certo efeito anestésico. Assim, ficará menos dolorida a sua remoção. Se der, corte a ponta ou farpa do anzol com um alicate, antes de retirá-lo.

Ou tocar uma água-viva?
Use compressas geladas, de preferência de chá de camomila, que é um excelente antiinflamatório — se o seu barco tiver cabine, não custa nada ter alguns sachês a bordo. Depois, passe protetor solar sobre a área.

O que a água causa neles?

Fungos pela umidade
Para virar frieiras ou micoses, é um passo. Fungos adoram ambientes úmidos, como sapatos molhados. Guarde os seus em local bem seco a bordo e seque bem os pés antes de voltar a calçá-los. E cuidado: fungos podem sobreviver até uma semana mesmo fora do organismo, como dentro dos sapatos úmidos, por exemplo.

Manchas nas unhas
O iodo da água do mar pode deixar as unhas amareladas, o que, no entanto, gera apenas um problema estético. Mas se elas começarem a apresentar manchas brancas, marrons ou esverdeadas é sinal de fungos, e podem até cair por causa disso. Para protegê-las, não use calçados molhados e passe talco nos pés e nos sapatos também. Dica: se não tiver talco a bordo, maisena quebra um galho.

Bichos de praia
Quem anda descalço na areia (ou seja, praticamente todo mundo), fica sujeito a dois bichinhos bem chatos, típicos de praias visitadas por animais: bicho-de-pé e bicho-geográfico. O primeiro se aloja na sola, entre os dedos ou debaixo das unhas, provocando coceira. Já o outro, penetra na pele, formando caminhos tortuosos e avermelhados, também com muita coceira. Portanto, nada de levar cachorrinhos para a praia nem andar descalço em locais frequentados por eles.

Calcanhares rachados
Com a idade, a pele ganha linhas profundas, que podem virar rachaduras. Especialmente nos calcanhares, pelo peso do corpo. Se isso acontecer, não use lixas ou pedras-pomes, porque os pés acabarão ficando ainda mais grossos depois. Use uma mistura caseira de azeite, açúcar e mel, que removerá as células mortas. Depois, bastante hidratante. No contato com a água, as tais rachaduras ficam mais abertas e chegam a acumular sujeiras, como grãos de areia, tornando-se ainda mais visíveis.

Tropeções frequentes
Cunhos salientes, cabos espalhados pelo convés, objetos largados no piso e o inevitável balanço do mar fazem dos barcos locais propícios a topadas e tropeções frequentes. Com a agravante de que, neles, as pessoas geralmente ficam descalças, portanto mais vulneráveis a ferimentos. Uma alternativa é ter um par de calçados macios (como docksides ou meia com sola de borracha antiderrapante) para uso exclusivo a bordo, de forma que sua sola não trará sujeiras de fora. Outra, que sempre deve ser tomada, é duplicar os cuidados ao se movimentar a bordo.

Dicas para não dar vexame
1 – Chegue no barco já de sandálias ou chinelos. Eles refrescam os pés, evitam o mau cheiro ao descalçar os sapatos, são fáceis de pôr e tirar e ideais para desembarcar nas praias. Além disso, mantêm os pés bem arejados e evitam a umidade, que, associada ao calor, dá as condições ideais para o surgimento de frieiras, micoses e — claro — chulé.

2 – Cheque antes se sua meia não está furada. Parece óbvio, mas os homens vivem esquecendo deste detalhe. Descobrir que tem um furo na meia depois que já tirou o sapato é sempre uma surpresa desconcertante, principalmente se você não tiver muita intimidade com as outras pessoas a bordo. Evite. É fácil.

3 – Tenha dois pares de calçados a bordo. Os sapatos que você calça em terra firme jamais devem ser usados a bordo de um barco, para não sujar (e contaminar) o piso — onde, inclusive, muitas pessoas pisam descalças. Com dois pares (um de uso externo, outro interno — este de sola macia, como os docksides), o problema acaba. Mas você deve trocá-los sempre que ficarem úmidos ou molhados.

4 – Seque sempre muito bem os pés. Só use sapatos secos e, em caso de muita umidade ambiente, passe talco ou desodorante antifúngico neles. Porém, antes de calçá-los, seque muito bem mesmo os pés, sem esquecer os vãos dos dedos e as dobrinhas das solas dos pés. O ideal mesmo é finalizar ainda com o secador de cabelos antes de colocar o sapato de volta.

5 – Só use sapatos a bordo se o dono do barco permitir. Além de encardir o interior dos barcos, calçados costumam riscar ou marcar o piso com manchas, especialmente se tiverem solados escuros. Os menos danosos são alguns tênis e docksides mais macios. Mas, qualquer que seja o calçado, só entre a bordo com ele se o comandante assim o permitir. Pergunte antes, para não criar constrangimentos depois.

6 – Passe protetor solar no peito do pé. A bordo, os pés ficam muitos expostos e como são partes do corpo que passam boa parte do tempo protegidas pelos calçados, costumam queimar com facilidade. Assim, para depois não ficar com os pés vermelhos feito os de um pato, passe protetor também no peito deles.

7 – Capriche também no repelente. Os insetos de praias e mangues parecem ter predileção por pés e tornozelos, que ficam sempre mais expostos. Além disso, as extremidades do corpo são mais suscetíveis à coceira. Para não voltar todo marcado ou arranhado de tanto coçar a pele, passe repelente sempre que desembarcar em algum local mais ermo.

Por Por Regina Hatakeyama
Revista Náutica Online

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