Protetor de Hélice. Isso funciona?

Os anéis e gaiolas que envolvem as pás do hélice até protegem um pouco, mas não o bastante a ponto de compensar os transtornos que causam.


 

Recentemente, um projeto de lei tentou transformar em item obrigatório para todos os barcos nacionais os protetores de hélices, equipamentos que visam proteger banhistas e seres marinhos do contato direto com as pás, mas que sequer são fabricados no Brasil – na verdade, são usados apenas na Flórida, onde há uma lei local de proteção aos peixes-bois. Na teoria, é uma maneira de evitar que quem esteja na água (pessoas e seres marinhos mais lentos, já que os peixes são suficientemente ágeis para escapar dos motores) seja atingido pelas pás dos hélices em movimento. Na prática, porém, a grande maioria dos modelos existentes serve muito mais para proteger os hélices em si do contato com pedras do que os seres em volta dele, além de causarem uma sensível perda de rendimento do motor e aumentar o consumo, por conta do arrasto. Ou seja, mais atrapalha do que ajuda.

O protetor mais completo é o do tipo gaiola. Mas a perda de desempenho com ele passa de 20%

No mercado americano, onde são mais difundidos, esses protetores existem em duas versões, tanto para motores do popa e centro-rabeta quanto de centro. A mais simples, em forma de anel de metal, protege apenas as pontas do hélice –  portanto, tudo o que vier pela frente ou por trás dele será atingido do mesmo jeito. A segunda, mais completa, é uma espécie de gaiola que envolve todo o hélice, mas cria um arrasto danado na água e, consequentemente, rouba desempenho, aumento o consumo e pode até comprometer a vida útil do motor. A perda média de performance é de cerca de 10% no primeiro modelo e mais de 20% no segundo.

O curioso, no entanto, é que há um terceiro modelo, para uso naval, que encapsula o hélice com uma espécie de tubo e, embora seja usado apenas em barcos mais lentos, costuma transmitir maior empuxo nas partidas, pois canaliza o fluxo da água, garantindo maior força. Mas, para obter este ganho é preciso um protetor adequado e bem justo ao hélice, como se fosse o rotor de uma turbina, o que não existe para barcos pequenos de passeio. Outro ganho seria a maior agilidade em manobras, pois as laterais do duto serviriam como lemes, especialmente em baixas velocidades. Mas, de qualquer forma, nada de tão eficiente que compense a perda de velocidade em movimento. Para sorte dos usuários, o tal projeto foi arquivado.

Por Sério Rossi
Revista Náutica Nº 253

One thought on “Protetor de Hélice. Isso funciona?

  1. Olha, esse papo de perda de desempenho é bobagem quando se trata de prevenção de acidentes.
    Quem vai com seu barco ao mar é para se divertir e não para competir velocidade e força.
    Só quem já sofreu com uma hélice descarnando seu corpo me dará razão, então mesmo que se perca 20, 30%, vale apena investir do que ter que enfrentar a justiça e arcar com indenizações e perca da habilitação, fora a consciencia(de quem tem), de que inutilizou uma pessoa.
    Abraços!!
    Aguinaldo Ambrozino

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