Qual, afinal, a melhor gasolina? Comum ou aditivada?

A rigor, nenhuma gasolina brasileira é 100% indicada para barcos. Todas têm 25% de álcool, componente que absorve água, o que é especialmente preocupante num ambiente úmido por natureza. Os motores marítimos até recebem ajustes para funcionar com essa mistura, mas é impossível evitar a formação de umidade dentro do tanque, algo que o álcool absorve e transforma em água, praticamente inutilizando o combustível armazenado depois de um certo tempo. E navegar com gasolina “velha” é correr o risco de uma parada inesperada no meio do mar.

Tecnicamente falando, a gasolina menos danosa é a Podium, que é bem mais estável e tem maior octanagem. Isso também é melhor para os motores dos barcos, que usam compressão mais elevada do que os dos automóveis. Em seguida, vem a aditivada, que ao menos ajuda a limpar o motor por ter detergentes. E, por último, a comum, que não traz benefício extra algum e é só um pouquinho mais barata que a aditivada. Mas isso é pura teoria. No mundo real, a melhor gasolina é mesmo aquela na qual você confia e costuma usar, já que a adulteração dos combustíveis é prática comum no mercado. Infelizmente.

Para não navegar com combustível de má qualidade, há duas providências básicas: 1) escolher um posto aparentemente de confiança e abastecer sempre nele; 2) descartar a gasolina que ficou no tanque por mais de dois meses — tempo suficiente para o álcool já a ter oxidado. No primeiro caso, será sua própria experiência que irá indicar qual posto escolher, embora os de maior movimento sejam os mais indicados, porque, pelo menos, a gasolina não ficará parada no tanque dele por ainda mais tempo. No segundo, é bom saber que não adianta apenas completar o tanque com gasolina nova, porque a velha acaba contaminando tudo do mesmo jeito. Outras formas de amenizar o problema são usar filtro separador de líquidos, que drena parcialmente a água do combustível; deixar o tanque sempre cheio, o que reduz a área de umidade; e usar gasolina Podium, que resiste mais tempo à absorção de água: três meses, em média.

É tudo o que se pode fazer, enquanto se espera (e como se espera!) uma gasolina náutica no Brasil, ainda não autorizada pelo governo. Para se ter uma ideia do que representa o alto percentual de álcool na nossa gasolina, basta dizer que o motor de uma lancha nos Estados Unidos (onde há uma gasolina náutica, sem adição de álcool) perde cerca de 10% do rendimento se abastecida com o nosso combustível. E é com isso que temos navegado. Quando conseguimos.

Dicas importantes

  • Prefira gasolina Podium
  • Abasteça sempre no mesmo posto
  • Escolha um posto com bom movimento
  • Instale um filtro separador de líquidos
  • Não guarde gasolina por mais de um mês
  • Não misture gasolina nova com “velha”

    Por Sérgio Rossi
    Portal Revista Náutica (www.nautica.com.br/notícias)

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