O mapa do mercado de luxo no Brasil

Fachada do projeto da nova loja da Louis Vuitton em Brasília: inauguração na última semana de março marca planos de expansão da marca no Brasil

Embora o Brasil já tenha conseguido espaço para entrar nesse clube, ainda não está no mesmo patamar de Europa e Estados Unidos. A porta de entrada para o mundo das grifes no país são os acessórios, principalmente em bolsas e óculos. “A maioria dos brasileiros pode não comprar uma bolsa de R$ 15 mil, mas vai levar um chaveiro de R$ 1,2 mil”, afirma Rocha.

Uma das táticas para estimular o crescimento do consumo de luxo é a novidade. Sabendo disso, a Audi vai trazer um novo modelo de carro a cada 45 dias em 2010, o mesmo número de lançamentos do ano passado. A aposta lhe valeu um crescimento de 46% em 2009 e, pela primeira vez, a liderança no ranking de vendas, à frente de concorrentes como BMW e Mercedes, segundo dados da Anfavea.

“Está claro hoje que no Brasil há possibilidade de fazer mais negócios”, diz Thiago Lemes, gerente de Produto Importação da Audi no Brasil. No primeiro bimestre a marca emplacou 402 veículos, contra 251 carros em 2009, um aumento de 60%. Em 2010, a Audi quer repetir o desempenho.

Para ser bem-sucedido, porém, é preciso conhecer bem as aspirações do consumidor e entender que ele não vai comprar qualquer coisa. “O brasileiro é globalizado, é antenado e tem essa característica de ver e ser visto”, diz Renis Gabriel Filho, presidente do grupo Safilo no Brasil, que representa 29 marcas de armações e óculos de sol, entre elas Dior, Balenciaga, Emporio Armani e Marc Jacobs.

A filial brasileira, que incorporou um processo de “tropicalização” para se adaptar ao gosto e expectativa do consumidor brasileiro, é a que mais cresce no grupo há três anos. Em 2010, a empresa investirá mais em treinamento de profissionais de revendas para que eles possam entender o que o cliente busca em seu produto – e como o consumidor identifica seu estilo à imagem de uma grife.

Quem é o brasileiro AAA

Se até pouco tempo os homens tinham mais peso somente nas compras de veículos de luxo, propriedades, bebidas e itens de uso pessoal como relógios, agora consomem abertamente mais moda, acessórios, joalheria e produtos de beleza. No entanto, as mulheres continuam líderes em compras nas grifes de luxo. Elas representam 63% dos consumidores AAA, contra 37% dos homens. “As mulheres brasileiras estão entre as mais vaidosas do mundo. E mesmo quando não são a fonte da renda, são elas que tomam as decisões de compra”, afirma Ismail Rocha, da ESPM.

Em relação à faixa etária, a maioria dos brasileiros fãs das marcas mais glamurosas do mundo (40%) tem entre 26 e 35 anos. Na seqüência, com uma fatia de 24%, vem o grupo formado por pessoas de 36 a 45 anos. Segundo Rocha, parte do crescimento do mercado AAA tem ocorrido por conta de uma mudança social. Com os jovens executivos saindo mais tarde da casa dos pais e se casando e tendo filhos só depois dos 30 anos, eles hoje têm condições de gastar mais. Isso beneficia as lojas mais caras. Trata-se de uma faixa da população ainda na casa dos 20 anos que chega a ganhar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil ao mês.

63% dos consumidores AAA são mulheres no Brasil

Pelo estudo da empresa de pesquisa GfK, a qualidade ainda é o item que mais define a compra para 46% dos consumidores AAA. Na sequência vem a exclusividade, citada por 18%, e com peso maior do que o glamour e a tradição (14%) ou mesmo o atendimento personalizado (13%). “Nossa consumidora gosta de lançar moda”, diz Cristina Nogueira, gerente de Comunicação da Neutrolab, que representa perfumes e produtos de beleza das marcas Prada, Clarins, Guerlain e DKNY, entre outras. Toninho Abdalla, um dos sócios da British Cars do Brasil, empresa que acaba de abrir um showroom das marcas Bentley e Bugatti, concorda. “Nosso cliente busca exclusividade, ele escolhe a marca pela força”, afirma. A empresa tem planos de vender em torno de 30 automóveis Bentley no Brasil, possantes que custam entre R$ 890 mil e R$ 1,35 milhão.

Ao lado da qualidade, da exclusividade e da tradição, o impulso é outra razão que leva o brasileiro a pagar até milhões por um produto de luxo. Este foi o fator principal que motivou a Aston Martin a adotar no Brasil um modelo de venda totalmente diferente do que tem em outros países do mundo. Enquanto lá fora é necessário encomendar o carro, que custa até R$ 1,5 milhão, aqui modelo é de pronta-entrega, o famoso pagou, levou. “Com essa mudança conseguimos atender as compras impulsivas”, afirma William Norman, gerente de operações da empresa para as Américas. “Uma das características do consumidor no Brasil é a compra emocional“, afirma Veronique Claverie, da Cartier do Brasil. Bom para as marcas do setor, todas ávidas por conquistar mais corações e bolsos.

Fonte: Elisa Campos e Soraia Yoshida – Epoca Negócios

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