Confira as dicas de um especialista para montar o kit de primeiros-socorros do barco

Da Náutica 237
Apesar de a Marinha não mais exigir um kit de primeiros socorros a bordo de embarcações que transportem menos de 15 pessoas, nunca é demais estar preparado. Como a dura experiência já ensinou, acidentes acontecem — e o que deveria ser um alegre passeio pode virar um drama médico. “Cansei de atender pessoas que não tinham sequer gelo para pôr em cima de uma pancada a bordo”, conta o médico ortopedista — e amante do mar — Pedro Ivo de Carvalho, chefe da seção de cirurgia de quadril do Hospital do Servidor do Rio de Janeiro. Com a experiência de quem também trabalhou durante anos no setor de traumatologia do hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro, e possui uma lancha em Angra dos Reis, Pedro Ivo garante, no entanto, que um bom estojo de primeiros socorros não precisa ser grande: basta ser efi ciente! “Não adianta ter um hospital a bordo se as pessoas forem leigas em medicina”, explica.

Medicamentos injetáveis, por exemplo? Esqueça. Analgésicos? Também são dispensáveis — “No caso de dor, use Novalgina mesmo”, ele aconselha. Torniquetes? Menos ainda. “Basta comprimir o ferimento por cinco minutos, que, se não for uma lesão grave, o sangue estancará”, ensina. Para Pedro Ivo, o mais importante mesmo é não faltar gelo a bordo. “É um santo remédio”, brinca. “Para traumatismos, ponha gelo picado em um saco plástico, em volta do ferimento. Serve, também, para sangramentos”, diz. Mas aconselha: “Se for algo mais grave ou continuar doendo muito, volte e procure um médico”.

Correr para um posto médico é também a medida acertada em casos de cortes em cascas de mariscos, que causam muita dor e têm cicatrização difícil, por causa das impurezas do mar. “Talvez seja preciso dar pontos ou tomar vacina antitetânica, porque a bactéria causadora do tétano pode estar presente nas cascas dos moluscos.” Já para suspeitas de fraturas (é sempre bom lembrar que tombos são freqüentes a bordo, por causa do movimento dos barcos), Pedro Ivo recomenda ter a bordo um kit de imobilizadores infláveis, como os da marca Ready Splint, importados. “Eles são muitos efi cientes”, garante, com a autoridade de quem é do meio. “Esses imobilizadores podem ser encontrados nas casas de produtos para saúde, como as redes Tecnomed (www.tecnomed.com.br), Medshop (www.medshop.com.br), Rimed (www.rimed.com.br) e Palmipe (www.palmipe.com.br), e na loja Ortline (tel. 11/3031-4546)”, explica.

Mas, como todo mundo está cansado de saber, mais importante do que ter um arsenal de medicamentos no estojo de primeiros socorros, bom mesmo é adotar medidas preventivas contra acidentes a bordo. Segundo ele, os riscos mais freqüentes são: 1) passar de uma lancha para outra sem tomar o devido cuidado; 2) crianças correndo a bordo com o piso molhado; 3) ficar de pé, pulando ou dançando na proa dos barcos. Ou seja, todos perfeitamente evitáveis.

O que, segundo o dr. Pedro Ivo, não deve faltar na farmacinha de bordo
• Kit de imobilizadores infláveis, para torções e fraturas
• Remédios contra enjôo, como Dramin e Plasil
• Gelo, para diminuir inchaços e dores
• Algo à base de iodo, como Povidine, para pequenos cortes
• Xylocaína e pasta contra queimaduras, como Picrato de Butesin
• Antialérgico à base de epinefrina, contra picada de insetos
• Hipoglós, contra assaduras infantis, freqüentes na água
• Novalgina e Aspirina, para aliviar dores
• Pinça para farpas e espinhos, como o de ouriços
• Ataduras, esparadrapo e tesoura, para curativos

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s